Testemunho de uma praticante de Kinbaku

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Testemunho de uma praticante de Kinbaku

kinbaku

Uma das melhores maneiras de descrever o que é o Kinbaku ou o Shibari é através de um testemunho de uma bottom. Este testemunho é de uma mulher que decidiu explicar o que sentiu durante todo o processo, depois da sua primeira sessão.

Eu sinto a respiração dele no meu pescoço. Eu fecho os olhos para absorver o erotismo do momento, sinto o kinbaku a penetrar-me e aquilo que sei que está para vir. Estou numa posição submissa, de joelhos com o meu rabo apoiado nos calcanhares, a minha cabeça ligeiramente inclinada para a frente, e as minhas mãos com os palmos no chão, apontadas para a frente. O meu pulso intensifica, apesar do meu quimono apertado restringir a minha respiração. A música japonesa toca levemente ao fundo, transportando-me para outro lugar, outro paraíso dentro da minha própria cabeça.

O seu corpo cerca-me, tomando posse do meu apesar de as suas mãos ainda não me terem tocado sequer. Ele aproxima-se, a sua cabeça agora encostada à curva do meu pescoço. Ele inspira fundo; ele está a inspirar-me, a cheirar-me como se fosse um animal. Ele grunhe como um animal, e agarra o meu cabelo, puxando-o para trás para expor ainda mais o meu pescoço. Sinto arrepios por todo o corpo.

Eu cheiro as cordas antes de as sentir, o cheiro a bondage, submissão, sofrimento, êxtase está espalhado, não consigo descrever nem sei porque mas está. Depois ouço aqueles sons… a corda a bater no chão, a ser desembrulhada, a ser preparada. Espero em silêncio, em antecipação daquele primeiro momento. Depois sinto as mãos dele em cima de mim, a segurarem-me quieta enquanto ele começa a envolver-me, as cordas, uma extensão do corpo dele.

O Kinbaku penetra no meu corpo!

Primeiro, ele domina os meus braços, que são fixados firmemente atrás das costas. Uma segunda corda atravessa o meu torso superior e as minhas costas. Ele pausa para tomar posse novamente. Ele cheira-me novamente, a sua mão a apertar o meu pescoço e a puxar-me para ele. Estou ofegante e submeto-me à sua vontade. Estou desfeita e estamos apenas a começar.

As cordas, as mãos dele, passam por baixo dos meus seios, envolvendo-os como uma prenda que ele oferece a ele próprio. Depois, ele puxa-me e fico de joelhos, as cordas de cima amarradas à barra de bambu por cima de nós. O atar continua pelo meu corpo abaixo, amarrando o meu abdómen, o meu rabo, as minhas coxas, os meus joelhos. Com cada corda, os meus movimentos ficam cada vez mais restringidos, a minha respiração mais difícil e, no entanto, nunca me senti mais livre. A liberdade, a desinibição é intoxicante.

Os meus olhos permanecem fechados, mas consigo sentir o seu olhar, a mente dele a contemplar o próximo movimento, o próximo passo. Ele começa a grunhir novamente. As mãos dele estão novamente sobre mim. Lentamente, mas com vigor, ele rasga o quimono, expondo o meu corpo nu por baixo, primeiro os meus seios, depois o meu torso, e finalmente as minhas pernas. As mãos dele puxam as cordas por trás de mim, aumentando a tensão. Eu inalo, mas esqueço-me de exalar. Ele segreda para mim: “Expira.” O meu corpo estremece de novo.

Ocorre-me que, ao longo desta experiência, poucas palavras foram proferidas, não são necessárias. As suas cordas, as suas mãos, comunicam a sua intenção: comunicam que eu estou lá para o seu prazer. Eu sinto os olhos dele a observar o meu corpo, a admirar o seu trabalho, e a desfrutar da minha condição, da minha exposição e desconforto, a minha desfeita.

No meu delírio, sinto as minhas pernas a serem puxadas por baixo de mim, e em poucos momentos, fico suspensa de cabeça para baixo. Cada músculo, cada articulação, cada fibra do meu ser está viva e a gritar. A tensão das cordas deixa-me sem respiração até que o meu corpo se acostuma a este novo desconforto. Quase a contrariar a dor, sinto pequenas gotas de prazer no meu corpo. A cera cai na minha cara, nos meus seios, na minha barriga. O que eu sinto é magnífico e deixa-me sem palavras no meu êxtase. Quero mais: mais gotas, mais calor, mais excitação.

Ouço-o a afastar-se e a dizer: “És tão linda.” E a verdade é que eu nunca me senti mais bela, na minha vulnerabilidade, na minha exposição, na minha dor, na minha completa submissão às suas mão e às suas cordas.

Agora ele volta para mim. Os meus olhos permanecem fechados mas eu sinto a sua respiração no meu ombro. Ele está sentado ao meu lado e as suas mãos agarram o meu cabelo mais uma vez, para relembrar-me do seu domínio e controlo. Estou a gemer; os sons do desconforto a puro êxtase surgem do fundo do meu ser. Ele segreda novamente: “Expira.”

Eu faço como ele manda, mas o que eu quero na realidade é inspirar. Quero gravar a dor e o prazer permanentemente no meu corpo e mente como se fosse uma tatuagem, quero abraçar-me a este sentimento, quero absorvê-lo para dentro de mim, para que possa chamar por ele mais tarde, quando precisar de recordar o sentimento da minha desfeita, da minha libertação.

Como podem ver através da leitura deste testemunho, o Kinbako ou Shibari ultrapassa o estético e a técnica, identificado por muitos como Shibari. A experiência, e a emersão nessa experiência é que marcam a diferença entre os dois conceitos.

Osada Steve, um mestre de cordas conhecido, descreve bem a diferença entre Shibari e Kinbako: “Todas as outras actividades, como espectáculo em palco e a grande parte dos trabalhos de estúdio, descreveria como Shibari. Para mim, Shibari é apenas amarração ao estilo japonês. Aplicar nós de acordo com a estética japonesa. Para uma sessão de cordas qualificar como Kinbaku, é preciso entrar na mulher, tocar na alma dela.”     

Seja de uma forma ou de outra, é uma experiência que nem toda a gente tem a oportunidade de viver. Mas quem teve essa sorte, certamente nunca se esquecerá, e aos que tiverem essa sorte e oportunidade, certamente não a vão desperdiçar.

Nunca se esqueçam que tanto Shibari como Kinbaku devem ser aplicados por praticantes experientes.

Lady
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Quero-vos mostrar o mundo alternativo do BDSM. A tortura são o meu prazer e a humilhação um orgasmo garantido!

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